Fachin suspendeu decisões conflitantes, manteve a direção da Polícia Federal e marcou sessão extraordinária para analisar relatório sobre contatos do ex-banqueiro com o ministro
O caso envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por suspeitas de fraudes no Banco Master, desencadeou uma crise interna no Supremo Tribunal Federal (STF) e colocou ministros da Corte em lados opostos.
O presidente do STF, Edson Fachin, convocou uma sessão extraordinária para o dia 15 de setembro. O plenário deverá decidir se será aberta uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por causa de mensagens atribuídas a Vorcaro e enviadas a um contato identificado pela Polícia Federal como pertencente ao magistrado.
Fachin também suspendeu decisões conflitantes tomadas pelos ministros André Mendonça e Flávio Dino sobre o comando da Polícia Federal. Com a intervenção, Andrei Rodrigues permanece como diretor-geral da corporação até uma nova deliberação.
Relatório da Polícia Federal
A crise começou após André Mendonça retirar o sigilo de um relatório produzido pela Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero, responsável pela apuração de supostas fraudes envolvendo o Banco Master.
O documento reúne 52 mensagens que teriam sido enviadas por Vorcaro, entre outubro e novembro de 2025, a um número atribuído a Alexandre de Moraes.
Parte das respostas não foi recuperada porque teria sido enviada por meio de mecanismos de visualização única. Em uma das mensagens localizadas, Vorcaro afirmou que estava tentando “antecipar os investigadores”.
A existência das mensagens não comprova, isoladamente, participação de Moraes em qualquer irregularidade. O conteúdo, o contexto e a legalidade da apuração ainda serão analisados pelo Supremo.
PGR questiona investigação
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a anulação do relatório. Segundo a PGR, uma investigação contra ministro do STF não poderia ter sido aprofundada diretamente pela Polícia Federal sem autorização do plenário ou iniciativa do Ministério Público.
Fachin suspendeu temporariamente o procedimento de controle aberto pela PGR e determinou que qualquer apuração envolvendo integrantes do Supremo passe pela presidência da Corte.
O plenário deverá decidir se o material da PF é válido, se existem elementos para investigar Moraes ou se o procedimento deve ser arquivado.
Mendonça também recebeu Vorcaro
André Mendonça confirmou ter recebido Daniel Vorcaro em março de 2025, antes de assumir a relatoria das investigações sobre o Banco Master. Segundo o ministro, o encontro tratou de um processo relacionado a créditos de precatórios e sua decisão posterior foi contrária aos interesses defendidos pelo empresário.
O gabinete de Mendonça confirmou ainda que Vorcaro prestou depoimento no próprio STF após relatar que estaria sofrendo intimidações. O ato contou com um representante do Ministério Público, mas não teve a presença da Polícia Federal.
O ministro afirma que o procedimento foi legal e que o depoimento não tratou de Alexandre de Moraes.
Disputa sobre o comando da PF
A tensão aumentou quando Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada.
Flávio Dino reagiu e determinou a reintegração dos dois servidores. Fachin, então, suspendeu as decisões conflitantes e afirmou que a sobreposição de determinações poderia provocar insegurança jurídica e tumulto processual.
Além da possível investigação sobre Moraes, o plenário deverá examinar o relatório policial e as decisões envolvendo a cúpula da PF.
Vorcaro continua investigado
Daniel Vorcaro permanece no centro da Operação Compliance Zero, que apura um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.
O STF já manteve prisões preventivas de outros investigados ligados ao banqueiro. Paralelamente, a Polícia Federal continua reunindo depoimentos e documentos sobre a atuação da instituição financeira.
Até o momento, as mensagens atribuídas a Vorcaro e Moraes estão sob análise e não representam uma condenação ou comprovação definitiva de crime. A decisão do plenário será determinante para definir os próximos passos da apuração.
Redação O Contendor




