Mesmo com ampla cobertura declarada, denúncias de moradores e inspeção do Ministério Público mostram que o serviço não funciona com regularidade em todas as áreas
O acúmulo de lixo em ruas, calçadas e canteiros continua sendo motivo de reclamação em diferentes bairros de Manaus. Apesar das operações anunciadas pela Prefeitura, moradores ainda denunciam falhas na coleta domiciliar e o reaparecimento de lixeiras irregulares.
O problema ganhou a atenção do Ministério Público do Amazonas em julho, quando o órgão realizou uma inspeção na avenida Autaz Mirim, uma das principais vias da zona Leste da capital.
Depósito de lixo na avenida
A vistoria foi realizada após uma série de denúncias encaminhadas pela população. Durante a inspeção, o Ministério Público encontrou sacos de lixo, pneus e outros resíduos acumulados no canteiro central da avenida.
De acordo com o órgão, moradores e comerciantes relataram que o local era utilizado como ponto para o recolhimento dos resíduos. O problema seria a falta de regularidade na retirada do material.
Os pneus abandonados também poderiam acumular água e contribuir para a proliferação do mosquito transmissor da dengue. Além do risco sanitário, o lixo causa mau cheiro, atrai animais e compromete a circulação de pedestres.
O Ministério Público informou que buscaria uma reunião com a Secretaria Municipal de Limpeza Urbana e a empresa Marquise Ambiental para verificar as responsabilidades pelo serviço.
Prefeitura anuncia reforço
A Prefeitura de Manaus afirma que ampliou o efetivo da limpeza urbana para 1.250 garis, após a contratação de mais de 500 trabalhadores.
O município também anunciou novas frentes de limpeza, equipamentos e operações para retirar resíduos de ruas, canteiros, igarapés e outros espaços públicos.
As ações são necessárias, mas a continuidade das reclamações demonstra que o aumento do efetivo ainda não garantiu regularidade em todas as áreas da cidade.
Cobertura não significa regularidade
Manaus possui uma cobertura elevada de coleta domiciliar quando comparada à média nacional. Esse indicador, entretanto, não significa que o caminhão passe nos dias previstos em todas as ruas.
Quando a coleta atrasa ou não alcança determinada área, os resíduos ficam acumulados. O descarte irregular feito por moradores e comerciantes também contribui para a formação das chamadas lixeiras viciadas.
O problema exige fiscalização, educação ambiental, calendário confiável e uma resposta rápida quando o serviço é interrompido.
Problema atravessa administrações
As lixeiras irregulares e as reclamações sobre a coleta já faziam parte da rotina da cidade durante a administração de David Almeida.
A troca de comando municipal não resolveu imediatamente a situação. Nos primeiros meses da gestão de Renato Junior, o Ministério Público precisou atuar diante das denúncias registradas na Autaz Mirim.
O atual prefeito anunciou reforço nas equipes, mas deverá demonstrar que as medidas são permanentes e capazes de alcançar os bairros mais afastados.
Mais transparência
Além de realizar mutirões, a Prefeitura poderia divulgar indicadores periódicos sobre a regularidade da coleta, o tempo de resposta às denúncias e a quantidade de pontos irregulares eliminados definitivamente.
A população também precisa saber os dias e horários corretos para colocar os resíduos nas ruas. Sem organização, fiscalização e continuidade, a cidade permanece presa ao ciclo em que o lixo se acumula, a força-tarefa aparece e o problema retorna pouco tempo depois.
Redação O Contendor




