Apontado como operador financeiro de esquema ligado à PixBet, um dos advogados mais influentes do país volta ao centro do radar policial em meio a cerco de R$ 1,1 bilhão.
O advogado Nelson Wilians, figura de destaque na advocacia empresarial brasileira, foi alvo de novos mandados de busca e apreensão na manhã desta quinta-feira. Agentes da Polícia Federal (PF) cumpriram ordens judiciais em sua mansão, em São Paulo, no âmbito da Operação Arena, deflagrada pela Justiça Federal da Paraíba.
A ação investiga uma complexa rede de apostas esportivas e jogos de azar suspeita de movimentar recursos ilícitos por meio de empresas de fachada e operações no exterior.
A operação cumpriu 17 mandados de busca e apreensão espalhados por cinco estados (SP, PB, SE, RJ e PR), além de autorizar o sequestro de até R$ 1,1 bilhão e a quebra de sigilos bancário e telemático dos envolvidos.
A engrenagem: PixBet, paraísos fiscais e blindagem patrimonial
Segundo as investigações da PF, Nelson Wilians é suspeito de atuar como o operador financeiro da organização criminosa, utilizando sua estrutura para ocultar e dissimular patrimônio obtido ilegalmente.
O foco central da apuração mira a plataforma PixBet e a PixStar — empresa fantasma sediada em Curaçao, no Caribe. Os investigadores identificaram transações suspeitas entre as duas entidades para remessa ilícita de valores e evasão de divisas.
A Operação Arena apura os crimes de:
- Evasão de divisas
- Lavagem de dinheiro
- Delitos contra o Sistema Financeiro Nacional
Cerco jurídico se acumula
Esta não é a primeira ofensiva policial contra o jurista, que acumula mais de 1,4 milhão de seguidores nas redes sociais. Em julho, Wilians e sua esposa, Anne Wilians, foram alvos do CIRA-SP em uma investigação sobre uma mega fraude tributária que teria sonegado R$ 3,8 bilhões em créditos falsos de ICMS. Em setembro do ano passado, o advogado também figurou como investigado em um suposto esquema de fraudes contra o INSS.
O outro lado
Em nota oficial, a defesa de Nelson Wilians, representada pelo advogado Santiago Schunck, repudiou a inclusão do jurista no inquérito e sustentou que a relação com a PixBet restringe-se à consultoria jurídica:
“A relação entre o escritório e a PixBet é estritamente profissional e decorre da prestação de serviços de advocacia. […] O escritório repudia qualquer tentativa de associar a atuação profissional de seus advogados às atividades ou condutas atribuídas a seus clientes.”
A empresa Alpha Group, também citada na investigação desdobrada de fraudes fiscais em São Paulo, manifestou “surpresa e perplexidade” com as apurações e afirmou estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos, reiterando que não cometeu ilícitos.




