Investigação do 1º DIP aponta que organização utilizava anúncios falsos de imóveis e veículos para atrair vítimas. Grupo mantinha escritório em Manaus e usava ‘manual de abordagem’.
A Polícia Civil do Amazonas, por meio do 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP), deflagrou uma operação para desmantelar uma organização criminosa investigada por estelionato e fraudes financeiras no estado. De acordo com os relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o grupo movimentou aproximadamente R$ 8 milhões no período de um ano com esquemas de falsas vendas de imóveis, veículos e cotas de consórcios.
A ação policial cumpriu quatro mandados de prisão preventiva, 22 de busca e apreensão e duas medidas cautelares. Um advogado apontado pela investigação como o principal articulador do esquema está entre os detidos. Por determinação da Justiça, também foram efetuados o bloqueio de contas bancárias e o sequestro de bens dos investigados, incluindo veículos.
Modus operandi e captação de vítimas
As apurações começaram há seis meses, motivadas por denúncias formais de lesados. Segundo o registro policial, os suspeitos veiculavam anúncios na internet com ofertas de bens a valores significativamente abaixo do mercado para atrair os clientes. No caso dos imóveis, muitos ficavam localizados em outros estados e tinham as imagens replicadas de sites sem autorização dos proprietários.
Os interessados eram direcionados a escritórios físicos mantidos pelo grupo, onde efetuavam pagamentos a título de entrada e assinavam contratos sob a promessa de liberação ágil do bem. Após o recebimento dos valores, os investigados adiavam sucessivamente os prazos de entrega até interromperem o contato com as vítimas.
Apreensões e orientação às vítimas
Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, as equipes do 1º DIP apreenderam computadores, aparelhos celulares, documentos, centenas de contratos com indícios de fraude e cadastros de clientes. Também foram recolhidos “roteiros de abordagem”, documentos internos utilizados pelos integrantes do grupo para padronizar o atendimento e persuadir os compradores.
Em razão da dimensão do esquema financeiro apontado pelo Coaf, a Polícia Civil solicita que cidadãos que identificarem prejuízos semelhantes procurem a sede do 1º DIP ou a delegacia mais próxima para o registro de Boletim de Ocorrência, a fim de subsidiar as etapas seguintes do procedimento investigativo.




