Apontado como detentor de um dos serviços logísticos mais criticados do Amazonas, Alessandro Bronze Toniza volta ao centro das negociações eleitorais em cartada silenciosa para o Congresso.
As convenções partidárias começaram oficialmente, mas os movimentos decisivos da eleição de 2026 seguem ocorrendo à sombra dos palanques. No centro de uma das articulações mais delicadas dos bastidores políticos amazonenses está um nome discreto no debate público, porém influente no ecossistema de negócios do estado: o empresário Alessandro Bronze Toniza, concessionário do Porto de Manaus.
A engenharia política ganhou contornos públicos após o empresário e comunicador Ronaldo Tiradentes revelar que Bronze é cotado para ocupar a primeira suplência na chapa do deputado federal Alberto Neto (PL) ao Senado.
Apesar de ainda não confirmada pelas assessorias, a possível composição acendeu o sinal de alerta entre aliados do parlamentar. Em vídeo publicado nas redes sociais, Tiradentes tratou a movimentação com tom de advertência:
“Muito cuidado, Alberto Neto. O Alessandro Bronze é uma figura que não vai agregar absolutamente nada de voto. Pelo contrário, pode tirar muito voto do Alberto Neto, caso isso se confirme. Isso é uma cogitação.”
Poder econômico, crítica popular e conexões em Brasília
Alessandro Bronze comanda o terminal hidroviário mais estratégico da Amazônia — portal por onde passaram mais de 214 mil dos 589 mil passageiros do transporte intermunicipal no Amazonas em 2024, segundo dados da Arsepam. O ativo, no entanto, coleciona críticas históricas de passageiros e comerciantes devido às altas tarifas cobradas e à precarização na prestação do serviço.
As pretensões do empresário não são recentes. Ainda em 2025, o jornalista Hudson Braga adiantara na Coluna do Christo que Bronze desenhava, nos bastidores, sua inserção em uma chapa majoritária.
A aliança ganha ainda mais densidade com a proximidade política entre o concessionário e o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, elemento apontado por analistas como a chave de fiador na costura com Alberto Neto.
A velha tática da vaga de ouro
Se consolidada, a investida de Bronze repete uma manobra histórica na política amazonense: o uso da suplência de Senado como atalho para o poder sem o crivo direto das urnas.
O modelo remonta à trajetória do empresário paulista Gilberto Miranda, que assumiu e exerceu o mandato no Senado entre 1999 e 2007 na condição de suplente de Amazonino Mendes, tornando-se uma das figuras de maior influência no estado à época.
Em pleno início das convenções, o ressurgimento do nome de Alessandro Bronze expõe que a disputa pelas vagas de suplente continua sendo um dos capítulos mais valiosos — e calculados — da engenharia eleitoral no Amazonas.




