domingo, junho 21, 2026
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De galho em galho, paraquedista político de Presidente Figueiredo erra o salto e quebra a cara.

Quem avisa, amigo é. Mas quando o aviso vem de senador, é melhor anotar na agenda para não passar vergonha depois.

A política brasileira é uma máquina de criar finais previsíveis, mas este merece um prêmio de pontualidade. Em fevereiro deste ano, o senador Omar Aziz cruzou com o vice-prefeito de Presidente Figueiredo, Marcelo Palhano (Agir), em Manaus. Com a sabedoria de quem já viu muita gente tentar se dar bem mudando de lado, o senador soltou a máxima: “Macaco que muito pula de galho leva chumbo”.

Palhano deve ter achado que era só um ditado popular bobo. Spoiler: não era.

O “não” mais doloroso do ano

Apenas quatro meses depois, a profecia se cumpriu com precisão cirúrgica. Nesta terça-feira, a Câmara Municipal de Presidente Figueiredo resolveu dar aquele “abraço de urso” no vice-prefeito. Por um placar avassalador de 9 a 3, os vereadores rejeitaram o projeto que daria a ele o título honorífico de cidadão figueiredense.

Resumo da ópera: Marcelo Palhano, que nasceu em Santa Maria (RS), continua sendo, oficialmente, apenas um visitante de longo prazo com um cargo importante.

Os mesmos aliados que antes sorriam para fotos decidiram que o vice-prefeito não merece nem uma placa comemorativa para pendurar na parede. No meio das brigas pela sucessão estadual, os vereadores deixaram claro que, para o Palhano, o galho quebrou e o tombo foi grande, nem o “paraquedas” que o levaram ao município dessa vez funcionaram.

Se serve de consolo, agora ele tem bastante tempo livre para repensar suas escolhas políticas — e, quem sabe, comprar um capacete.

Não foi só uma votaçãozinha qualquer para cumprir tabela; foi uma lavagem de roupa suja pública com direito a plateia e contagem de votos.

Para quem ainda não entendeu o desenho, a Câmara de Presidente Figueiredo é, basicamente, o quintal do prefeito Fernando Vieira (MDB). E como o prefeito e o seu vice, Marcelo Palhano, decidiram que não conseguem mais andar no mesmo lado da calçada nesta corrida eleitoral de 2026, os vereadores resolveram escolher um lado. Spoiler: não foi o do vice.

O esquema é o seguinte: enquanto o prefeito Fernando Vieira fechou com o grupo que quer empurrar o senador Omar Aziz (PSD) direto para a cadeira de governador do Amazonas, Palhano achou que seria uma excelente ideia pular de galho e se lançar a deputado estadual nos braços do ex-prefeito de Manaus, David Almeida (Avante) — que, por sinal, é o rival direto na disputa pelo governo.

Um recado com carimbo e assinatura

Nos bastidores, ninguém precisou de tradutor para entender o que aconteceu: a rejeição do título de cidadão foi um belíssimo e sonoro “cala a boca” político, encomendado e entregue em mãos pelos próprios integrantes da bancada governista.

O vexame consegue ser ainda mais histórico por um detalhe tragicômico: a honraria não foi negada a um inimigo declarado da oposição, mas sim ao próprio vice-prefeito da cidade. Na prática, os nobres parlamentares carimbaram na testa de Marcelo Palhano o selo de “indigno” da maior homenagem que o município concede a quem vem de fora.

Com essa lapada, Palhano garantiu seu nome nos livros de história de Presidente Figueiredo, mas pelo pior motivo possível: ele é, oficialmente, o primeiro da história da Câmara Municipal a passar pela humilhação de ter um título honorífico rejeitado. É… parece que o salto do paraquedista bateu direto no asfalto.

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